Sendo o som um poderoso fator desde o princípio da criação, é evidente a importância da necessidade do desenvolvimento do ouvido desde os primeiros tempos da nossa jornada pela matéria. A dádiva desse germe pelos Senhores Elevados, teve lugar no sombrio Período de Saturno e o ouvido tal como o possuímos é, desde tempos imemoráveis, o instrumento mais sensível que temos.

O ouvido fornece com exatidão à nossa consciência as impressões exteriores. É menos sujeito aos enganos do que qualquer outro órgão dos sentidos. É o instrumento receptor de todas as vibrações sonoras. Tudo o que foi criado, seja animado ou inanimado, emite um som e uma cor definidos. Existe uma relação íntima entre o som e a cor.

O Mundo do Pensamento é o mundo do som e o som, saindo dessa região que chamamos Segundo Céu, produz a cor. Os sons elementares da Natureza conduzem-nos à nota-chave do nosso planeta Terra. Nossa consciência é enriquecida pelos sons dos ventos nas florestas e pelos sons das quedas d’águas. Toda criação de Deus é influenciada pelas ondas sonoras emitidas. Sabemos que nossa mente finita não pode compreender plenamente aquilo que é verdadeiramente espiritual; mas podemos tentar compreender os mistérios da criação.

As ondas sonoras são invisíveis, embora tenham o poder de construir ou de destruir. Uma afirmação que é corroborada é a batalha de Jericó, citada no Velho Testamento, que nos diz que os hebreus, marchando em torno das muralhas da cidade enquanto tocavam suas trombetas, destruindo-as. A dissonância apresentada por muitas músicas modernas tocam em alto volume por inúmeros aparelhos amplificadores de som, parecem indicar-nos que talvez estejamos vivendo em um período de destruição dos métodos antigos antes que os novos apareçam.

Devemos aos Senhores de Vênus a alegria que encontramos em nossa atual existência, pois, deles recebemos todas as artes das quais a música é a mais influente. Pitágoras falou-nos sobre a “música das esferas” e o verdadeiro músico sabe o que isso significa. As artes servem para conduzirem as mentes humanas na direção dos mundos celestes e para inspirar-nos a nos tornarmos criadores. A música nos inspira com o sentimento da transcendente amabilidade de Deus, fonte e meta deste mundo maravilhoso. A música é intangível e vem do mundo espiritual. A música transporta os sentimentos de uma alma à outra sem necessidade de palavras, e os espíritos podem se comunicar sem trocar palavras. Os poetas buscam inspiração nos mundos celestiais e tem nos revelado em verso, muita verdade sobre a música.

A música influi mais no crescimento e no desenvolvimento do nosso ser do que qualquer outra arte porque tem o poder de nos acalmar nas ocasiões de inquietação e de furor e de nos impelir à ação quando necessário. Ela toca nossos corações como nada pode fazer, pois está vinculada aos nossos veículos superiores e nos mantém ligados com os mundos superiores. É a influência mais poderosa que conhecemos na condução da humanidade. Ecos da música celeste chegam até a Terra e, enquanto vivemos aqui no plano físico, muitos de nós sentimos a nostalgia do nosso lar celestial quando ouvimos música inspiradora que nos traz à lembrança o mundo do som, nosso lar verdadeiro, e o Ego regozija-se, sempre que essa melodia nos atinge os ouvidos.

Todos nós seremos grandemente beneficiados ouvindo, sempre que pudermos, música selecionada. Lemos nos Mistérios das Grandes Óperas: “Enquanto estivermos nesta vida terrestre, estamos exilados do nosso lar celestial…. e vem a música, como fragrante odor carregado de lembranças inefáveis. Como um eco do nosso lar ela nos faz lembrar aquela terra esquecida onde tudo é paz e alegria”. Na nossa jornada entre as vidas terrestres, quando permanecemos algum tempo no Segundo Céu, usamos o som para amalgamar ao nosso Tríplice Corpo. Esta quinta essência é o resultado dos acontecimentos havidos na nossa última vida terrestre; é a essência de todas as nossas experiências, conforme o uso que delas fizemos. Elas são transmutadas em faculdades que usaremos em vidas posteriores. Por aí podemos ver como o som é extraordinariamente importante no processo evolutivo do ser humano, pois, suas faculdades futuras dependem dele. É o responsável pela diferença nos instrumentos com os quais cada um de nós tem que viver. No Segundo Céu, no Mundo do Pensamento, há o arquétipo de cada forma existente no Mundo Físico. Este arquétipo é um vazio vibratório que emite um som harmonioso. Esta vibração sonora atrai matéria física com a qual toma forma, da mesma maneira que os grãos de areia colocados num prato agrupam-se em figuras geométricas quando atritamos a borda do prato com um arco de violino.

A música é a linguagem universal; fala a todos, qualquer que seja sua raça, credo ou etnia. É verdadeiramente universal. Sabemos bem que para uma pessoa somente, porém falam a todos, indiscriminadamente. A Música tem por missão especial unir os diferentes povos, pois, não há barreira de linguagem que a torne incompreensível. Tudo o que necessitamos para sermos beneficiados pelos harmoniosos é o sentimento interior. Muitos respondem à melodia, ao ritmo e a harmonia. Portanto, a música será preponderante quando as diferentes nações tiverem, afinal, aprendidas as lições ensinadas no caminho da separatividade.

Se apreciarmos devidamente as grandes obras prima que o gênio dos músicos nos presenteou, teremos de levar em consideração que elas vêm das regiões superiores. A menos que estejamos sintonizados com elas, não ouviremos as mensagens que nos trazem do nosso lar celeste. Para termos crescimento anímico devemos lutar para compreender e apreciar as melodias celestiais. Mesmo que as condições da nossa vida material não pareçam conduzir ao crescimento anímico, na música encontraremos meios e modos para efetivar esse crescimento. Podemos dedicar alguns minutos cada dia e ‘construir em nosso interior um santuário, cheio daquela música silenciosa que vibra sempre na alma serviçal como uma fonte de soerguimento que nos eleva acima de todas as vicissitudes da existência terrena’. Tendo este ‘templo vivo’ no interior, sendo ele na realidade um TEMPLO VIVO não construído por mãos, poderemos a qualquer momento entrar nele para nos banharmos em sua harmonia, desde que nossa atenção não seja requerida para satisfazer obrigações temporais legítimas.”

(Publicada na Revista: Serviço Rosacruz – Maio/61)